Durante décadas, os cientistas compreenderam que as plantas podem libertar compostos orgânicos voláteis – essencialmente sinais químicos transportados pelo ar – para atrair os inimigos naturais das coisas que as comem, como as lagartas. O que não sabíamos era exatamente como uma planta traduz o ato físico de ser comida em um sinal de socorro específico que invoca um predador.
“(Uma) coisa que não sabíamos é como a planta detecta a lagarta”, diz Adam Steinbrenner, biólogo da Universidade de Washington. Agora, depois de anos de experiências com plantas de feijão comum em laboratório e nos campos agrícolas de Oaxaca, no México, a equipa de Steinbrenner identificou um único receptor imunitário que orquestra o seu sistema de defesa anti-lagarta.
Lagartas babando
Quando um inseto herbívoro como uma lagarta se alimenta de uma planta, ele introduz sua saliva diretamente nos tecidos danificados da planta. Esta saliva contém pistas biológicas chamadas HAMPs: padrões moleculares associados a herbívoros. Uma das moléculas de HAMPs é um peptídeo chamado inceptina, e também há um fragmento de 11 aminoácidos da inceptina chamado In11. Ambos são um fragmento da ATP sintase encontrada nos cloroplastos – basicamente um pedaço de uma das proteínas da própria planta. À medida que a lagarta ingere a folha, as suas enzimas intestinais cortam os motores celulares da planta e os seus pedaços, incluindo o In11, são regurgitados de volta à superfície da folha, embora em concentrações extremamente pequenas.
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